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Alex Gewer, Igor Cunha e os desafios da produção de uma trilha sonora para o SPFW

Produzir faixas para a pista de dança possui o mesmo processo de produção de trilhas sonoras? E quando a trilha sonora é voltada para o mundo da moda? 

Pois bem, muitos produtores de música eletrônica do circuito mundial já encararam esse fascinante desafio de combinar música eletrônica com a estética visual de um desfile de moda. Nomes como Honey Dijon, The Martinez Brothers, Dixon e Renato Ratier já embalaram trilhas sonoras exclusivas para as passarelas, incluindo os desfiles das marcas Louis Vuitton, Givenchy, Dior e a própria marca homônima de Ratier.

O DJ e produtor brasileiro Alex Gewer, que é um dos nomes de destaque do House nacional, também acaba de assinar sua primeira trilha sonora para o mundo da moda. Ao lado do parceiro Igor Cunha, ele produziu a trilha para o desfile do estilista Samuel Cirnansck, que foi às passarelas na última edição do São Paulo Fashion Week.

“Esse trabalho foi um desafio porque foi o primeiro desfile que fizemos neste formato [digital], tanto eu [Igor], quanto o Alex e os outros profissionais envolvidos, fotografia, vídeo e até o próprio Samuel. O resultado final foi um videoclipe, mas foi muito bacana porque conseguimos trabalhar muito mais próximo de toda a equipe, então edições, cortes e outros detalhes conseguimos escolher de forma bem específica, optamos por caminhos mais densos, fomos criando layers de som em cima de cada momento do vídeo… então o processo criativo foi diferente, mas muito interessante pra todos”, comentou Igor Cunha.

Segundo os artistas, a primeira coisa ao se produzir uma trilha de desfile é fazer uma reunião musical com o estilista: ele vai te mostrar a coleção, te dar um mood do que ele quer transmitir e trazer referências. Você vai ter que captar texturas, cores e transformar isso em música. A partir daí existem dois caminhos: trilha autoral, fazer do zero; ou, selecionar e pesquisar trilhas que podem criar esse clima.

“Já fiz as duas coisas e aconselho ir para o caminho da trilha autoral, assim você tem mais liberdade de trabalhar. Mas alguns estilistas já tem algo na cabeça ou músicas que representam essa emoção que ele quer imprimir na passarela… então esse alinhamento musical é fundamental”, comenta Igor.

A dupla adiciona que o desfile pode ser temático e então entra outro fator chamado sonoplastia. “Dois desfiles que me marcaram muito nesse sentido foram Chanel e Versace, com assinatura de Carlos Pazetto. Chanel teve um mood aeroporto, com chamadas, você estava pronto para embarcar de verdade. Versace fizemos um clima parque de diversões das antigas, então tiveram marinheiros, carrinho de bate bate, roda gigante… e a sonoplastia te transporta para esse ambiente por sons, texturas, ambiências, músicas”.

“No fim, o mais importante é entender que desfile de moda não tem limites para a passarela: crie, abuse da versatilidade!”, completam Cunha e Gewer.

A música conecta.

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